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AUTOMÓVEL (20/11/2004)
Febre do buggy cearense está de
volta |
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No final dos anos 80 e início dos 90
era fato: só no Ceará existiam 14 fábricas de buggy, para atender a
uma demanda sempre crescente de aficionados. Isso oficialmente, pois
outras de fundo de quintal prosperavam pela falta de fiscalização do
poder público.
Com a chegada dos importados e dos modelos
com tração nas quatro rodas - os 4x4 -, os buggys ficaram em segundo
plano.
Mas agora, passado o período de euforia com os 4x4
importados, por conta dos altos preços de manutenção e peças, muitos
proprietários passaram a usar seus possantes veículos apenas para o
uso diário e compraram buggys para a diversão do final de semana.
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O BUGGY fabricado no Estado
tem encomendas no Brasil e exterior; adeptos crescem a cada dia pelo
baixo custo da manutenção |
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Hoje, só no Ceará existem seis
fabricantes em pleno funcionamento: Cia. do Buggy (que produz o Cauype),
Fyber, Marinas, Equus, Fibravam e Convert.
Com o retorno do modelo
que mais vendeu unidades no Estado, o Fyber, e a chegada da Cia. do Buggy,
que fabrica o Cauype, a onda bugueira deslanchou de vez.
O vice-presidente do Clube do Buggy Ceará, Josenildo Araújo, o Nil, além de
pesquisador do carro, também desenvolve projetos. “Atualmente Estou
desenvolvendo um buggy tradicional com tração 4x4 e mecânica VW”,
diz. Ele explica que a tendência é que os buggys passem a contar com
peças do Gol, já que as do Fusca e Kombi, por incrível que pareça,
estão mais caras que as do Gol no mercado paralelo. Já o Fyber 2000W
tem o diferencial do motor AP, do Santana, o que lhe garante mais
potência.
O que era comum antigamente, hoje tornou-se
raridade. Nenhum fabricante utiliza mais chassi de Fusca ou
Brasília, devido à rigidez da legislação. Todos os fabricantes
cearenses utilizam chassi tubular de fabricação própria e devem ser
homologados pelo Inmetro.
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OS BUGGYS também têm seguido a
onda do tunning, com modificações que chamam a atenção do público
nas ruas e praias |
A Cia. do Buggy, que fabrica o Cauype,
tem como diferencial a barra circular na carroceria, o que dá um reforço
extra nas laterais, o que garante mais segurança ao motorista e
passageiro. Com 13 funcionários, a Cia. entrega em média 4 carros por mês,
a maioria para fora do Estado. Hoje a fábrica
tem um modelo já feito, para pronta entrega, mas a espera para receber o
carro é de 20 a 25 dias, informa o diretor da fábrica, André
Avelino.
O diretor aposta na onda bugueira e
criou até financiamento próprio. Para pagar o buggy o interessado dá de
entrada 50% do valor e parcela em até três vezes o restante. Hoje o Cauype
custa R$ 18 mil. Mas para quem já tem um buggy antigo na garagem e quer
ter um novo, Avelino criou uma promoção: a campanha renovação de frota.
Basta dar o buggy antigo, uma entrada e parcelar o valor em até seis
meses.
Segundo o revendedor autorizado da
Fyber, Artur Rêgo, hoje existe fila de espera para quem quiser um Buggy
Fyber 2000W. Quem encomendar um hoje, por exemplo, só recebe daqui a
trinta dias. A média de produção e de venda mensal é de dez modelos na
fábrica, que tem 23 funcionários. O modelo mais vendido da marca custa R$
22 mil e o mercado externo tem demonstrado interesse crescente pelo carro.
Tanto que o mais antigo fabricante de buggys do Estado, a
Fibravan, tem fabricado uma média de 20 por mês, exportando para o
Marrocos, Senegal, Cabo Verde e Colômbia. Em negociações a exportação para
o Equador.
O presidente da empresa, Vanildo Lima
Marcelo, é também presidente do Sindicato dos Fabricantes de Veículos
Especiais do Estado do Ceará. Seu buggy Fibravan custa, em média, R$
22.500, mas ele garante: tem 22 itens a mais, exigência para a exportação.
Entre os itens: cinto de segurança auto-retrátil, faróis reguláveis, trava
nos bancos, que são também reclináveis, trava na bateria, dentre
outros.
Fabricando buggys desde 1983, Vanildo
foi dono também da marca Cumbuco. Hoje, no Brasil, também tradicionais
como ele só a BRM, fábrica de São Paulo, e a Selvagem, de Natal (Rio
Grande do Norte). “Nos anos 80/90, a média mensal de venda no Ceará era de
250 buggys por mês”, lembra ele.
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Com os olhos voltados para o mercado externo,
Vanildo busca agora a homologação para poder exportar para a Europa.
A porta de entrada seria a Bélgica e Portugal. Para isso, está
desenvolvendo o motor com catalisador e um buggy 4x4. “Só da Bélgica
teríamos pedidos de 15 buggys por mês”, festeja. Isso representaria
um aumento de quase 80% na produção. Ele acredita que no próximo ano
viabiliza a parceria.
Sua fábrica tem 20 funcionários, com muitos serviços
terceirizados. Mas o mercado interno não é desprezado pelo
fabricante. Tanto que tem representantes de sua marca em Salvador,
Maceió, Porto Seguro e Fernando de Noronha. |
História
O buggy surgiu na Califórnia, nos anos
60, pelas mãos do marinheiro Bruce Meyers. Batizado de Manx. Tudo começou
porque na Califórnia alguns “malucos” de praia precisavam de um carro que
pudesse andar nas dunas e tivesse fácil manutenção. Veio de tudo um pouco:
carros feitos de madeira, plataformas de fuscas limpas e outras loucuras.
Bruce Meyers começou tentando fazer um destes carros a partir de uma velha
Kombi. Depois, desenvolveu seu próprio projeto. Ainda hoje o Manx é
fabricado e tem seguidores em todo o mundo. Mais detalhes sobre a história
do buggy no site: http://www.planetabuggy.com.br/historia
André Marinho Editor Automóvel |
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O retorno da febre dos buggys levou à
criação de uma confraria de amigos que se reúne semanalmente para
combinar passeios, trilhas, dicas de mecânica, novidades e eventos.
Trata-se do Clube do Buggy Ceará, hoje com 51 integrantes.
Criado em agosto do ano passado, a
entidade realiza pelo menos um passeio curto aos finais de semana e
um longo por mês. Sábado passado, por exemplo, o destino foi
Sabiaguaba.
O próximo passeio longo será no início
de dezembro, para a Canoa Quebrada, passando até a fronteira do Rio
Grande do Norte. “A idéia é a de unir integração e solidariedade,
sempre ajudando os motoristas que atolam pelo caminho”, garante o
presidente do Clube, Rafael Becker. |
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O VICE-PRESIDENTE do Clube,
Josenildo, garante: Fortaleza é a Capital do Buggy |
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“Após o boom da década de 90, o buggy
passou a ser usado como automóvel urbano pela maioria dos usuários, mas
com o advento do Clube, volta-se a usar para o fim ao qual foi concebido”,
explica o vice-presidente Josenildo Araújo.
O Clube tem o apoio de três
fabricantes: Cauype, Fyber 2000W e Marinas e é composto por pessoas de
variadas atividades profissionais: militares, empresários, médicos,
advogados, estudantes, funcionários públicos e liberais.
Buggys tunados que nunca passaram pela
areia e outros que passam a semana na garagem e nos finais de semana
correm para as dunas fazem parte da turma. O vice explica que já tiveram
intercâmbio de três buggyclubes dos estados do Pará, Salvador e Rio de
janeiro.
Outra vantagem é que o Clube tem convênio com autopeças e
prestadores de serviços para obtenção de descontos para os associados.
Para ser integrante é fácil. Basta entrar em contato com a diretoria,
pagar uma mensalidade de R$ 5,00 e ser apaixonado por buggys. Ah, mas a
diretoria avisa: antes o carrinho passar por uma vistoria geral, para
garantir a segurança do motorista e dos pedestres, é claro. (AM)
SERVIÇO: Clube do Buggy Ceará. Informações:
3094-0098//9999-0006/8818-4456. Site: http://www.buggyceara.com.br/
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